O TEMOR A TEMER. E AS TEMERIDADES DE TEMER ‘Ele está entre o tímido e o acanhado, entre o insosso e o azedo’


Por Gilvan Freire
temer
Acusados de tudo em matéria de desvios e abusos, os governos de Lula e Dilma não podem ser acusados de vazio de poder. Com eles o poder sempre foi excessivo, pôde de tudo, inclusive naquilo que não precisava poder, e nem devia. Houve carência ou insuficiência de poder apenas com relação à moralidade, e mesmo assim, nesse aspecto, o lulopetismo foi grandiloquente em sua obra de destruição dos valores morais públicos.
Na era finada de Dilma, mesmo ela nadando no mar de rosas que pintava para enganar o povo brasileiro, encobrindo as verdades intestinas da administração e sonegando informações essenciais sobre os caminhos da gestão, parecia que o governo estava vivo, funcionava. Para o bem ou para o mal, o poder existia, soberano, absolutista – e também soberbo.
Na era Temer, apesar do sentimento coletivo que aceita qualquer governo fora o de Dilma e fora do raio de influência petista, há uma sensação de vazio na governança atual, algo parecido com a insegurança e o medo.
De fato, Temer seria bem melhor se não fosse Temer. Mas Temer é Temer, uma variação entre o tímido e o acanhado, entre o insosso e o azedo. O meticuloso de estilo formal irritante e sem jeito para fazer a travessia do deserto com o povo traído pelos falsos profetas. Falta a Temer o carisma, a firmeza e a linguagem dos líderes em hora de crise. “ Os mornos, eu os vomitarei” – disse Jesus sobre os indefinidos e os vacilantes.
Ou seja, o que o povo quer e precisa não é o que Temer tem para dar. Isso é dramático porque o povo deseja um Temer que não é Temer, e não pode achar outro Temer noutro lugar. É angustiante esse processo de espera por uma solução que não está ao alcance dos dedos e dos olhos de uma população desenganada, vivendo em volta de abismos, que ainda não se libertou definitivamente das serpentes que lhe morderam os calcanhares.
Fonte: polemica