Servidores e até mortos no Bolsa Família e Paraíba não escapou da fraude


O Ministério Público Federal descobriu fraude de R$ 2,5 bilhões no Programa Bolsa Família. Funcionários públicos, empresários, doadores de campanha e até quem já morreu receberam o benefício entre 2013 e 2014. O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome já foi notificado e tem 30 dias para informar as providências a serem tomadas e apresentar o cronograma de pagamento detalhado. O MPF não divulgou o detalhamento da denúncia, mas há registro da fraude em vários estados, inclusive na Paraíba.
No Estado, mais de meio milhão de famílias recebem o Bolsa Família. Criado em 2003, o recurso ajuda a complementar a renda familiar e comprar alimentos. É o caso de Maria Anízia dos Santos, 52, dona de casa. Há mais de 10 anos ela recebe o benefício. “Comecei quando meus cinco filhos ainda eram crianças. Eles casaram e moro com meu filho, a nora e o neto de dois anos. Só ele trabalha, como estoquista e o dinheiro ajuda na conta de luz, gás e comida. Em um mês sem trabalhar, passamos necessidade”, contou.Na pequena casa no Rangel, Adriana Domingos agradece os R$ 112,00 que recebe. “É pouco, mas, ajuda bastante. Compro as coisinhas do meu filho: fraldas, leite, massa, shampoo. Se tnão tivesse, faria muita falta. Muita gente recebe sem necessitar e prejudica quem precisa. Tem que ser bem pesquisado. Melhorou a vida de muitas pessoas”, relatou.
R$ 91.549.532,00 foram pagos na Paraíba em maio deste ano, segundo o MDS.
A fraude. A fraude foi descoberta a partir de cruzamento de dados do Portal da Transparência, Secretaria Nacional de Renda e Cidadania (Senarc), Tribunal Superior Eleitoral, Receita Federal e Tribunais de Contas. O trabalho só foi possível pela criação de uma ferramenta de inteligência. Em junho do ano passado, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, aprovou a criação do Projeto Business Intelligence Bolsa Família, para combater as fraudes, auxiliar investigações de massa e contribuir para a transparência e aprimoramento da aplicação de recursos públicos federais no âmbito do programa. A procuradora Renata Ribeiro Batista coordena o grupo.
O projeto faz parte das Câmaras Criminal e de Combate à Corrupção, envolvendo também a Secretaria de Pesquisa e Análise (Spea) e a Secretaria de Tecnologia da Informação e Comunicação (STIC).

Fonte Correio da Paraíba