Temer e seu fim de governo

Tião Lucena


Somente alguns chamados “coxinhas” mais renitentes teimam em não reconhecer que o governo de Michel Temer está podre. Toda semana cai um ministro, o de hoje foi o Henrique Eduardo Alves, fritado por ter sido denunciado como recebedor de propina. Os outros também caíram pelo mesmo motivo. O presidente chamou um bando de fichas sujas para ajuda-lo a governar e o próprio presidente se encontra encrencado depois da denúncia de Sérgio Machado, seu ex-companheiro de lutas, dando conta da doação de 1 milhão e meio de reais para investimento na campanha de Michel Chalita à Prefeitura de São Paulo.
O interessante é o ar de indignação ostentado pelos denunciados. Ficam vermelhos, chamam o denunciante de canalha, mas não apresentam as contra provas. Aécio, coitado, chega dá pena, tem denúncias que, se comprovadas, poderão leva-lo à cadeia por um bom tempo. Jucá, do mesmo jeito, está encrencado e ainda por cima carregando nos ombros a responsabilidade de ter apontado o mineiro como o primeiro a ser comido. E o Renan, com cara de padre franciscano, somente suspirou aliviado depois da batida de pino do ministro do Supremo, que não teve coragem de mandar prendê-lo como queria Janot.
Hoje o presidente Temer foi à TV manifestar sua indignação às denúncias de Sérgio Machado,chamando-as de caluniosas, mentirosas e criminosas. Negou qualquer encontro com o denunciante e prometeu represália ao ex-amigo. Machado não se intimidou. Divulgou nota reafirmando tudo e contando mais coisas. Vale a pena ler a nota:
"1) Quando se faz acordo de colaboração assume-se o compromisso de falar a verdade e não se pode omitir nenhum fato; falo aqui sob esse compromisso;
2) Em setembro 2012 fui procurado pelo senador Valdir Raupp (PMDB-RO), presidente em exercício do partido, com uma demanda do então vice-presidente da República, Michel Temer: um pedido de ajuda para o candidato do PMDB a prefeito de São Paulo, Gabriel Chalita, porque a campanha estava em dificuldades financeiras;
3) Naquele mesmo mês, estive na Base Aérea de Brasília com Michel Temer, que embarcava para São Paulo. Nos reunimos numa sala reservada;
4) Na conversa, o vice-presidente Michel Temer solicitou doação para a campanha eleitoral de Chalita;
5) O vice-presidente e todos os políticos citados sabiam que a solicitação seria repassada a um fornecedor da Transpetro, através de minha influência direta. Não fosse isso, ele teria procurado diretamente a empresa doadora;
6) Após esta conversa mantive contato com a empresa Queiroz Galvão, que tinha contratos com a Transpetro, e viabilizei uma doação de R$ 1,5 milhão feita ao diretório nacional do PMDB; o diretório repassou os recursos diretamente à campanha de Chalita. A doação oficial pode ser facilmente comprovada por meio da prestação de contas da campanha do PMDB ;
7) É fato que nunca estive com Chalita".
A primeira providência agora é provar se os dois se encontraram em algum dia de setembro na Base Aérea. Isso não prova nada do que Machado relata, ressalte-se, mas é um começo de investigação.