O Efeito Água Branca. Por Velho Jack


O Efeito Água Branca. Por Velho Jack
A internet definitivamente é a nova fonte de informação no século 21, mas confesso que tenho uma certa inveja das gerações que paravam para comprar e ler o jornal do dia.


Grandes escritores eram cronistas, semanais ou até mesmo diários em folhetins mundo a dentro. Porém o mundo está em constante mudança e em ritmo acelerado.


Há 20 anos atrás meu sonho era possuir uma máquina de datilografia, há 15 anos quando enfim consegui a tal máquina meus amigos faziam curso de “computação” onde aprendiam a mexer no Windows, navegar em internet discada depois da meia noite. Hábitos que hoje parecem uma sombra de um passado distante. Às vezes me deparo com pessoas que ficam se lamentando com a velocidade de 1MB que dificulta o acesso a certos sites, coisa que a há 5 anos, 1 MB de velocidade de internet era coisa inimaginável ao acesso de meu bolso.


Acompanhando as mudanças do mundo em ritmo acelerado de nossos tempos, me deparo com o caso da cidade de Água Branca-PB, onde a Câmara de Vereadores de lá aprovou por UNANIMIDADE a redução do salário dos parlamentares daquela comunidade a partir de 2017.


 Cidade aqui pertinho da minha, é tão perto que num trajeto de 21Km, eu sei quantas curvas e ladeiras tem daqui até lá.


Olho para trás e vejo o tempo do coronelismo, e escuto o eco dos currais eleitorais que sussurram ainda no sertão sendo esmagados pela consciência coletiva de cidadãos que mesmo que venham a ter um objetivo secundário acabaram beneficiando uma população inteira e servindo de exemplo e de inspiração para outros municípios brasileiros.


Há quem defenda que o que os parlamentares de Água Branca tenham dado um tiro no pé, pois afinal das contas um parlamentar deve aumentar o seu salário, pois como vai ajudar a um eleitor que chega à sua porta e pede um par de chinelos Havaianas, um pneu de moto, uma caixa de remédio, um carro para ajudar um ‘mininu’ doente.


Eu até entendo quem pensa dessa forma, infelizmente eu intendo. Isso são os ossos dos antigos coronéis ainda se revirando em seus caixões. Entendo também que a culpa é da sociedade como um todo que vende seu voto ao parlamentar que mais lhe “ajeita”.


Esse “ajeitado” é o que custa o girar do tambor da roleta russa, onde um candidato a um cargo eletivo não tem dinheiro para concorrer contra aqueles que tem dinheiro para alimentar a ganancia de uma população acostumada a trocar seu voto por migalhas, ter que apelar para os facilitadores (leia – agiota) que bancam suas campanhas fazendo do parlamentar seu refém durante boa parte de seu mandato, tomando até as cuecas do pobre coitado enquanto enchem os bolsos com a miséria alheia.


Veja como isso é um círculo vicioso. O cidadão troca seu voto por um pneu de moto, um socorro na hora da aflição, uma caixa de remédio enquanto do outro lado o parlamentar precisa de dinheiro para bancar as despesas do já conhecido povo pidão, recorrendo assim aos facilitadores financeiros.


O exemplo de Água Branca quebra o eixo que gira essa roda, afinal de contas, quem danado que ser eleito para sofrer tamanho aperreio de não ter o sossego do povo lhe pedindo sabe Deus o quê. Quebra com a cultura da dependência do eleitor à um determinado parlamentar, alivia os cofres públicos possibilitando que a administração municipal possa aliviar a folha de pagamento, investindo assim em ações mais produtivas como previdência própria para os funcionários públicos municipais.


A realidade economia de Água Branca não é diferente de muitos municípios brasileiros onde a principal fonte de renda da população vem do Fundo de Participação dos Municípios.


O efeito Água Branca ecoara pela política brasileira, mostrando ao mundo que onde um dia imperou o coronelismo ainda tem gente arrochada, cabra macho sim senhor.

FONTE: Edgar Júnior