Os falsos milionários

Tião Lucena

Marcos Pires              
marcospires@veloxmail.com.br 
       Vez por outra aporta aqui um picareta querendo fazer os paraibanos de bobos. Lembro de um grande empresário que chegou aqui com grande estardalhaço, pronto para revolucionar a construção civil. Desde o início já devíamos ter desconfiado do tipo, porque em seu cartão de visitas dizia ser titular de uma empresa que tinha filiais em Nova Iorque, Toronto, Paris...e João Pessoa. João Pessoa no meio dessas capitais? Por que não Rio e São Paulo antes? Mas o fato é que deu muitos golpes, inclusive enganando o mais miserável dos empreiteiros locais, nesse ponto a única alegria de sua passagem por aqui. Foi descoberto porque além da grana dos outros, tomou a esposa de um corretor, e o ciúme provocou a investigação que deu na sua derrocada, porque “seu passado o condenava”.
          De outra feita apareceu por aqui um dono de estaleiro, engenheiro naval, cujo navio estaria em reparos no alto mar, em frente ao Bessa. Acolhido numa famosa mesa de pôquer, logo fez amizades porque perdia bastante. E durante todo o fim de semana pagou uísque para muita gente em restaurantes e boates. O que se descobriu depois é que não havia navio algum, nem ele era engenheiro. O truque era disfarçadamente trocar cheques com cada um dos novos amigos, alegando que o Banco do Brasil só abriria na segunda feira, e como naquele tempo não havia caixa eletrônico.... Na verdade, o que ele fazia era gastar no jogo e na bebida uma pequena parte do dinheiro que retirara dos supostos sabidos. Descoberto a tempo, confessou tudo logo depois que alguns mais ousados o colocaram no forno recém desligado de uma conhecida cerâmica.
        O golpe mais interessante, entretanto, foi o de um falso milionário que chegou aqui no começo de um fim de semana, atraiu uma beldade local vivamente interessada em seu a$m$o$r (era moça inteligente, que não queria nada com os pobretões daqui), e levou-a a uma joalharia onde ela escolheu o maior anel de diamante que havia. Ele pagou em cheque, mas não pôde levar a joia antes que houvesse a compensação na segunda feira. “- Problema nenhum, deverei viajar, mas logo depois do cheque compensado, podem entregar o anel à minha noiva”. E passaram o fim de semana num idílio enorme. Na segunda feira ligaram da joalharia dizendo que o cheque estava sem fundos. O falso milionário deu uma gargalhada e sentenciou: “- Vai ser ruim para ela, mas foi muito bom para mim”. E desapareceu na poeira da trapaça, deixando a moça com uma má fama que lhe rendeu o eterno caritó.