Porque hoje é sábado

Tião Lucena

Confesso que estou ficando preocupado com a onda de corrupção que invade o país. Basta uma investigaçãozinha de nada para se descobrir corrupto em qualquer esfera . E o pior, tanto faz na política quanto fora. É corrupto na política, na igreja, na rua, no mercadinho,no bar da esquina, no açougue e na escola.
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O dono do açougue vende 800 gramas por um quilo, o padre fica com o dinheiro do santo, o pastor manda o fiel deixar o carro para Deus andar nele, o rapaz do mercadinho aumenta o preço para ficar com a sobra, o bancário bota a mão na conta corrente do cliente, no meio da rua se pede esmola em nome da escola que jamais receberá a dádiva, o dono do bar vende papuda dizendo que é cana da boa e o político, bem, este é o rato maior, cobra propina, abre conta no exterior, emprega a família nos melhores cargos e ainda desvia o dinheiro da merenda para merendar com os seus.
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E tem mais: nem o judiciário está a salvo. Os maus julgadores vendem sentenças, praticam tráfico de influência e usam a toga para praticar atos pouco republicanos, deixando os bons juízes, aqueles honestos e dignos (que são muitos, graças a Deus),indignados  e respingados em suas inatacáveis reputações com o lodo imundo dos que não honram a toga.
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O passarinho cagão que sempre me interrompe nas minhas meditações acaba de dar um voo rasante e, balançando as asas, diz que um figurão integrante da cúpula de importante agremiação partidária paga a funcionários de escritório particular com o dinheiro da dita cuja. Não quis acreditar e por isso omito o nome citado. E o direi se esse passarinho fuxiqueiro me apresentar provas insofismáveis.
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Aproxima-se o fim do ano e o acesso ao Monte Carmelo, em Bananeiras, continua de terra batida, com buracos e poeira recepcionando aos que se dirigem ao local.
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Estou pensando seriamente em encerrar definitivamente as atividades deste blog e me dedicar exclusivamente a alinhavar livros que jamais publicarei.
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São inúmeras as incompreensões, as perseguições, as visitas inconvenientes dos oficiais de justiça levando mandados judiciais de processos movidos por pessoas que se acham no direito de processar jornalistas por não aceitarem a crítica democrática e verdadeira.
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E eu estou passando da idade, não tenho mais estômago pra conviver com isso.
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E agora lá se vão meus abraços sabadais para Heron Cid, Fabiano Gomes, Luis Torres, Celio Alves, Elton Santana, Fábio Bernardo,Fábio Targino, Diego Lima, Fernando Caldeira,Gutemberg Cardoso, Alex Filho, Petronio Torres, Welliington Fodinha, João Costa, Zé Duarte,Marcos Marinho, Agnaldo Almeida, Frutuoso Chaves, Chico Pinto, Edmilson Lucena, Miguezim Lucena, Zé Euflávio, Edson Verber,Aécio Diniz, Rubens Nóbrega, Aldo Lopes, Paulo Mariano,Sabrina Barbosa, Teócrito Leal, Abelardinho Jurema,Gonzaga Rodrigues,Marcos Werick, Walter Santos, Maurilio Batista, Vavá da Luz,Toinho Vicente, Fred Menezes,Geordie Filho, Luanna Brandão, Antonio David, Josinaldo Malaquias e Zé Carlos Valaque.
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E agora, vamos rir até entupigaitar:
Luiz Nogueira foi o homem mais bruto que existiu na cidade de Manaíra. Tão bruto que nem a filharada escapava da brutalidade. Zé, seu filho menor, certo dia chegou para ele e deu a notícia:
-Pai, o relógio deu uma queda e ficou parado.
-E tu queria que ele saísse correndo, condenado? –respondeu, gentil como sempre.
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Jornalista Toinho Vicente tomou uma carraspana meio pesada e perdeu-se num beco sem saída existente no Mercado Central. Desnorteado, começou a fazer o caminho de volta quando avistou um bêbado caminhando em sua direção.
-Quem vem lá? – indagou o destemido piancoense. O outro respondeu:
-É a puta que o pariu!”
Então Toinho, fazendo pose respeitosa, estirou-lhe a mão e pediu:
-A benção, mamãe!
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Pedro Nolasco era agente fiscal da Paraíba e gostava de beber umas e outras. Numa dessas farras, ficou de porre, entrou no carro, saiu em alta velocidade, bateu violentamente e morreu. 
Ao seu velório compareceu muita gente, inclusive Arlindo Fanho, bêbado que só uma cachorra. E por estar bêbado, decidiu fazer um discurso se despedindo do amigo. E mandou ver:
-Pedro Nolasco, homem honesto, cobrador de imposto, raparigueiro, tomador de cachaça e cabra safado!”
Não terminou porque os parentes do morto, aos prantos, deram-lhe uma surra.
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Claro que meu concunhado Luiz jura ser verdadeiro, mas acho que é invenção dele. Conta o marido de Tânia que um primo dele, chamado Tadeu, foi à farmácia em busca de socorro, pois estava emprenhando a mulher todos os anos. Deram-lhe camisinhas, ele as levou, mas meses depois voltou à farmácia dizendo que a mulher estava prenha de novo. Perguntaram como ele estava usando o preservativo e o primo de Luiz contou que bebia com água antes do ato. Foi quando lhe disseram que era para usar no pingolim. O primo de Luiz, então, descobriu a novidade:
-Era por isso que eu estava cagando ensacado!”
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Um fiel aproxima-se do monsenhor Vicente Freitas, em Cajazeiras, com a mais atroz das dúvidas:
-Padre, é pecado peidar alto dentro da igreja?
Com ares de sábio, vem a resposta do monsenhor:
-Desde que não apague as velas...