Depois de jogo emocionante Seleção feminina de futebol abandona sonho de medalha olímpica


AP Photo/Silvia Izquierdo
A seleção brasileira feminina de futebol parou na retranca da Suécia e foi derrotada nos pênaltis, nesta terça-feira (16), no Maracanã, e foi eliminada na prorrogação de jogo válido pela semifinal da Rio-2016. Cristiane e Andressinha desperdiçaram suas cobranças.
Sob um calor de 27ºC em pleno inverno, o time de Vadão passou longe de encontrar a facilidade que teve na outra vez em que enfrentou a mesma Suécia no torneio, um 5 a 1 pela fase de grupos. Apesar de dominar o confronto, com quase 70% de posse bola, pouco levou perigo à meta rival nos 90 minutos do tempo regular e mais 30 de prorrogação. Nos pênaltis, a goleira sueca brilhou, com duas defesas.

Cristiane e Marta perdem grande chance, nos acréscimos

Destaques técnicos da seleção brasileira, Marta e Cristiane perderam a chance de ouro (desculpe o trocadilho) da equipe, nos acréscimos do segundo tempo da prorrogação. A zagueira Rafaelle levantou, já no sufoco de fim de jogo, a bola na área e a goleira rival bateu roupa. A redonda sobrou nos pés de Marta, que bateu fraco e facilitou defesa da arqueira, que se recuperou no lance. A bola, ainda solta, ofereceu-se para Andressinha, mas Cristiane a atrapalhou no lance e tentou finalização de costas para a meta. Errou, é claro.

A retranca bem montada da “Senhora Olimpíada”

Shaun Botterill/Getty Images
imagem: Shaun Botterill/Getty Images
Quarta colocada em Londres-2012, a Suécia, para tentar chegar pela primeira vez ao pódio olímpico, contratou Pia Sundhage, treinadora norte-americana e atual bicampeã olímpica – ela foi ouro com os Estados Unidos em Pequim-2008 e Londres-2012. E o posicionamento das suecas em campo mostrou mais uma vez o talento da comandante.
Humilde, reconheceu superioridade técnica das brasileiras e armou retranca com uma linha de quatro defensoras próximas à área e outra de cinco jogadoras, no meio de campo. As investidas das anfitriãs paravam no bloqueio, o que as motivou a arriscarem de longe, sem sucesso. Por outra, as atletas de Sundhage se limitavam aos contragolpes.

Formiga e Cristiane, os “xodós” da torcida

Natacha Pisarenko/AP
imagem: Natacha Pisarenko/AP
A torcida brasileira no Maracanã merece destaque, por ter apoiado do primeiro ao último minuto – no fim, até com gritos de “eu acredito”. Formiga, meio-campista experiente da seleção, foi a mais lembrada pelo público, mais do que Marta, e confirmou o posto de “xodó da seleção”. E ela quase anotou o gol da classificação, nos acréscimos da segunda metade do tempo regular, de cabeça – parou na goleira rival, que fez defesa em cima da linha. Cristiane, no banco após lesão sofrida na coxa direita, também recebeu ovação e pedidos para Vadão colocá-la no duelo – o treinador a lançou em campo no início da prorrogação, mas a atacante pouco fez.

Sem homenagem para João Havelange

AFP PHOTO / OLIVIER MORIN
imagem: AFP PHOTO / OLIVIER MORIN
O ex-presidente da Fifa João Havelange, brasileiro que foi mandatário da entidade entre 1974 a 1998, morreu na manhã desta terça-feira, em decorrência de uma infecção pulmonar que se agravou e tornou-se infecção generalizada, a causa da morte. Na partida no Maracanã, no entanto, não houve minuto de silêncio em homenagem ao ex-cartola carioca.

Em busca do ouro

AP Photo/Natacha Pisarenko
imagem: AP Photo/Natacha Pisarenko
A seleção brasileira de futebol feminino vai outra vez em busca do ouro inédito. Foi a quarta vez que a equipe nacional disputou uma semifinal olímpica – das outras três, em duas avançou à final, e nas duas teve de se contentar com a prata. Em Atenas-2004 e em Pequim-2008, perdeu para os Estados Unidos na decisão. Formiga, Marta e Cristiane estiveram presentes em ambas e também estarão nesta nova tentativa, agora sem os EUA pela frente: o adversário do último jogo, marcado para o Maracanã, será Alemanha ou Canadá.

Vaias para Temer no Maracanã

Markus Schreiber/AP
imagem: Markus Schreiber/AP
O presidente interino Michel Temer (PMBD), no segundo tempo do confronto de semifinal, foi lembrado pelas arquibancadas lotadas do Maracanã, mas certamente não foi da forma como ele gostaria: o mandatário foi vaiado, chamado de “golpista” e se tornou alvo do coro de “Fora, Temer”, primeiro cantado por um lado do estádio, depois pelo outro.
Fonte: UOL

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