‘Foi traumatizante’, diz jovem que teve trombose cerebral após uso de pílula

Aryel Aquino | Imprimir | E-mail
Juliana diz que fez uso de pílula anticoncepciopnal durante 5 anos (Foto: Reprodução/Facebook)
De volta à rotina em Botucatu (SP), a universitária Juliana Bardella contou ao G1 o quanto foi desesperador precisar ser internada às pressas por causa de uma trombose venosa cerebral, causada por uso de pílula anticoncepcional durante cinco anos. A jovem decidiu fazer um post no Facebook contando a experiência de ir parar na UTI por conta da doença, que começou com uma simples dor de cabeça.
“Foi traumatizante. Foi há 45 dias, mas estava esperando eu e minha família nos estabilizarmos psicologicamente e minha saúde também. Estava esperando tudo passar. Eu não esperava acontecer tudo isso, mas para voltar à minha vida normal eu queria explicar o que tinha acontecido, por isso fiz a publicação”, conta a estudante.
A universitária de 22 anos relata no Facebook que, após as dores de cabeça insistentes, acordou um dia com perda momentânea de movimentos, seguida pela incapacidade de executar tarefas simples do dia a dia, como comer e ir ao banheiro. “Eu moro em uma república de estudantes, no começo achei aquilo estranho, achei até que pudesse ser o frio, então comecei a ficar desesperada. Não entendi direito, me deu um desespero, mas minhas amigas me ajudaram”, lembra.
A publicação foi feita na terça-feira (2) e teve uma repercussão impressionante. Até às 7h desta quinta (4) foram 180 mil curtidas e 150 mil comentários. Seu relato já foi compartilhado mais de 56 mil vezes. “De jeito nenhum eu esperava esta repercussão. Esperava repercutir com o pessoal da faculdade, no meu círculo de amigos. Mas acho que é importante, eu fiz uma crítica e é importante para as mulheres se cuidarem. Eu mesma me negligenciei e fiquei feliz em falar sobre o assunto."
Juliana diz que o texto também é um alerta às mulheres que usam esse tipo de medicamento. “Acredito que eu posso alertar as pessoas, que elas olhem o texto, vejam seus sintomas e que têm que procurar o médico para verificar. Porque eu não imaginava, levo uma vida boa, me cuido minha família nunca teve caso. Foi um susto muito grande”, afirma.
Sintomas
A universitária, que cursa medicina veterinária na Unesp de Botucatu, relata que tudo começou com uma dor de cabeça, que "foi aumentando gradativamente durante três semanas, até ficar insuportável." Ela procurou o hospital da cidade, onde a médica receitou analgésicos. Dois dias depois, percebeu que a perna e os braços demoravam para obedecer um comando.
A jovem resolveu faltar à aula e esperar que aquilo, que acreditava ser apenas um mal-estar, passasse. "Alguns minutos depois peguei o celular para fazer uma ligação, mas foi muito difícil, fiquei muito tempo olhando para a tela sem saber o que fazer como se tivesse esquecido como manusear um telefone. Deixei o celular de lado e fui ao banheiro, e para o meu maior desespero não sabia mais usar o banheiro, fiquei olhando pela porta e não sabia mais por onde começar, como isso era possível?", escreve.