Jogos Olímpicos 2016 aquecem o mercado de prostituição no Rio de Janeiro

prostituta
Novata nas ruas da Vila Mimosa, Melissa*, de 25 anos, tingiu os cabelos crespos de loiro, pois acredita que isso a valoriza. Sua tentativa é organizar a vida financeira e, para isto, começou a se prostituir há três meses. A jovem conta que precisa pagar a dívida da mãe com um agiota de Caxias, onde mora. Melissa é mais uma mulher que tenta lucrar com os Jogos Olímpicos usando o corpo como mercadoria.”Já tirei R$ 800 num dia só. Já paguei os juros. Espero pagar tudo com o dinheiro da Olimpíada”, revela a moça.
A crise econômica que o país vive afeta também o mercado da prostituição. O faturamento nas casas de luxo caiu até 40% no último ano. Nas zonas mais populares, a queda chegou a 50%. A Olimpíada é a grande esperança, e as casas de saliência estão reforçando seu staff.”Passamos de 50 para 80 meninas por causa dos Jogos. E todo dia aparecem cinco ou seis aqui querendo trabalhar”, conta o gerente de uma casa na Barra da Tijuca.
O otimismo é grande na Vila Mimosa e no Centro, mas é na Barra, onde estão a Vila e o Parque olímpicos, que os dólares e euros irão jorrar, segundo expectativa de pessoas ligadas ao setor. Já há relatos de atletas vistos nas casas e, pequenos prostíbulos foram abertos para festas particulares.
“Esses espaços não vão ter mercado depois do evento. Só abriram para os Jogos”, disse uma fonte que trabalha há 30 anos no ramo.Prostituir-se não é crime. Ter lucro sobre a prostituição de outra pessoa, porém, é. É o que esclarece o advogado Luiz Felipe Diaz André, que defende a regulamentação da atividade:
“A regulamentação das casas dá uma maior proteção mercadológica e contra a violência para as meninas”.
A Vila Mimosa está preparada para receber os turistas. Na Queen 46, por exemplo, as bandeirinhas colocadas na fachada para a Copa ainda dão boas-vindas em cinco línguas. Já no Opção Night Clube, um pequeno bar com varanda voltada para a Rua Sotero dos Reis, todas as profissionais do sexo estão com um aplicativo de tradução no celular para facilitar o trato com os estrangeiros.
“Vamos fazer uniformes com o símbolo dos Jogos para que elas trabalhem nesse período. Os gringos estão chegando. Ontem mesmo (sexta-feira), um grupo de cubanos esteve aqui com um intérprete”, celebra o responsável pelo local, Élvis de Oliveira.
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