A SEMANA EM QUE LULA CHOROU TRÊS VEZES DIANTE DOS PECADOS QUE ABALARAM O SEU DESTINO – Por Gilvan Freire


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Desde a instalação do Primeiro Governo Geral do Brasil e do regime das Capitanias Hereditarias, em 1530, pouco depois da descoberta deste imenso e próspero país, não nasceu um líder do tamanho de Lula, no quesito da qualidade de ter a alma gêmea com os pobres, miseráveis e excluídos de toda a nação.
Tem mais : ninguém na história do Brasil formou, politicamente, uma biografia tão fulgurante quanto a de Lula, saindo da região mais pobre do país e crescendo como pobre, sem recursos materiais e escolaridade. Foi fenomenal.
Pela lei das proporções e das probabilidades, o Brasil passará mais 500 anos para produzir outro Lula, e ainda assim não será o mesmo Lula com sua cabeça privilegiada, cheia de inteligência genial , pura e bruta , desenvolvida na luta e na resistência pela organização dos povos oprimidos e explorados, ele próprio um deles, sem linhagem familiar e sem letração .
Um dia, quando por repetição ou imitação surgir outro Lula, só por capricho da história, nascido na região mais espoliada , descriminadas e desassistida do território nacional, não será o mesmo Lula em condições de tempo, conjuntura e lugar, e nem o país será o mesmo. Ou seja : um Lula nunca mais nascerá.
Provavelmente, para compensar-se diante do que Lula promoveu como governante nas grandes transformações e mobilidades sociais, dando a quem mais precisava para não sofrer ou morrer de fome e alavancando a ascensão por classes, o próprio país poderá não precisar do mesmo Lula no futuro para fazer as mesmas coisas, mas apenas para continuar a fazer sem ele.
É que Lula, no original, está acabado, vítima dele próprio e da mania de grandeza e soberba que é comum subir à cabeça dos pobres triunfantes que passam a conviver com os poderosos e ricos, especialmente quando têm de liderá-los por alguma razão legítima ou pelas circunstâncias. Perdem a noção do que foram.
Nos próximos anos estaremos analisando o papel de Lula no seu tempo, todos atemorizados porque ele deixou duas heranças malditas : uma organização partidária criminosa que matou a sua biografia e desmoralizou e afrontou o eleitor em plena democracia, e um país sem líderes, de futuro incerto e nebuloso.
Ou seja : continuar com Lula e o lulopetismo seria uma tragédia, e eliminar Lula sem outro Lula será um risco do mesmo tamanho ou maior. Mas só resta agora ao povo correr os riscos, porque foi Lula que nos deixou esses temores também como herança maldita.
Essa semana, quando o xerife Moro apontou seu dedo indicador para Lula, antecipando seu destino de réu de gravíssimas acusações pelos crimes que seu bando político cometeu em desfavor do país, com a sua leniência e apoio, só restou a Lula chorar.
Assim como choram e chorarão por anos os povos pobres do Nodeste brasileiro e de outras regiões atrasadas do Brasil e os trabalhadores de todos os cantos. Há razões de sobra para esse choro coletivo, enquanto a alma de Lula pena sob seus pecados.
Mas não é justo matar Lula antes de exterminar a sua quadrilha só porque ele é o líder dela, que saqueou os cofres públicos e ainda está no governo com o resto do covil fazendo os mesmo assaltos possíveis, enquanto Moro não os encarcera a todos, pois Lula é também líder de pobres do Brasil.
Sem Lula os pobres brasileiros ficam mais pobres e mais vulneráveis, como foram durante 500 anos para trás, nas mãos de uma elite burguesa e dominadora e também corrupta que não os enxergava como filhos do mesmo Brasil. Mas Lula virou tudo, menos a corrupção, que gerou o monstro petista que o engoliu.
O fato de que a corrupção continua com seus tentáculos instalados dentro de todos os Poderes e Instituicões da república, e de forma desafiante nos governos, no Congresso e nas casas políticas, bem demonstra que Lula não é o grande chefe dos grupos, e sim um líder de sua grei partidária, a mais afoita e gulosa de todas as quadrilhas, que disfarça cinicamente seus crimes flagrantes.
Enfim, ‘habemos’ de chorar também por Lula, se quisermos ser gratos pelo que fez pelo Brasil e pelos excluídos, embora nosso choro seja diferente do dele, porque não cometemos os pecados que ele cometeu contra a nossa confiança e as nossas esperanças.
Fonte: polemica