Em alerta com protestos, Planalto quer evitar contágio ( Ou abre a caixa preta agora ou será tarde demais ) – Por Gerson Camarotti



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O Palácio do Planalto prepara uma estratégia para evitar o contágio na opinião pública de manifestações contrárias ao presidente Michel Temer. Os atos realizados hoje em várias cidades do país durante as comemorações do Dia da Independência acenderam o alerta entre os interlocutores próximos de Temer.
A avaliação preliminar é que os protestos estão restritos aos integrantes da oposição e movimentos sociais aliados do governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Mas a preocupação no Planalto é que esse clima de insatisfação contamine outros setores da sociedade.
Diante disso, houve cuidado dos organizadores em não reprimir os atos contrários ao presidente Temer,
principalmente em Brasília durante o desfile de 7 de setembro. “Tudo que não podemos é provocar”, explicou um auxiliar de Temer. Há o reconhecimento que o presidente errou ao minimizar as manifestações ocorridas no país enquanto estava na China para participar do G-20.
Mas para tentar neutralizar a contaminação de manifestações contrárias, o governo monta uma estratégia para estabelecer uma espécie de “divisor de águas” entre o governo Dilma e o governo Temer. Aliados reconhecem que, caso isso não aconteça rapidamente, Temer vai herdar não só todos os problemas da gestão anterior, como também a impopularidade recorde obtida por Dilma no segundo governo.
“Ou Temer abre o jogo e mostra toda a situação real da economia do país, ou daqui a pouco ele será o responsável por todos os problemas do governo Dilma. A tolerância será muito pequena. Até porque ele não terá a lua de mel que normalmente presidentes eleitos conseguem logo depois da posse”, alertou um interlocutor próximo de Temer.
O presidente está sendo aconselhado a iniciar uma ofensiva de comunicação para explicitar a situação das contas públicas e, com isso, tentar devolver o desgaste político para sua antecessora. Quando assumiu o governo interinamente, em maio, a ordem no Planalto era de “abrir a caixa preta” para mostrar todos os problemas do governo anterior. Mas essa estratégia foi ofuscada politicamente pelo processo de impeachment. “Portanto, ou abre a caixa preta agora ou será tarde demais”, completou esse interlocutor.
Fonte: g1
Créditos: Gerson Camarotti