Mais de 5 mil obras estão paradas no país, aponta balanço

Aryel Aquino 
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Mergulhado em uma recessão sem precedentes, com as contas públicas em frangalhos e os desdobramentos da operação Lava-Jato envolvendo as grandes construtoras nacionais, o país se transformou em um enorme canteiro de obras paradas. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), criado para garantir a continuidade do PT no governo e catapultar a ex-presidente Dilma Rousseff nas eleições de 2010, praticamente caiu no esquecimento. Além disso, tem atrasos colossais e, segundo especialistas, não surtiu os efeitos esperados na economia.
Há muito tempo não se contrata uma obra nova pelo PAC. Os balanços trimestrais do programa não possuem a mesma regularidade e sequer ganham destaque entre os anúncios do Ministério do Planejamento. No início, eram divulgados com pompa em cerimônia, com a presença do presidente da República; agora ficam escondidos no site da pasta, sem qualquer detalhamento das obras paradas.
Um levantamento feito pelo Instituto Nacional de Recuperação Empresarial (INRE) identificou 5,2 mil obras paradas, das quais 50% são públicas, 30% são público-privadas e 20%, totalmente privadas. A maior parte, 35%, está no Nordeste, e a menor, de 11%, no Norte. Na avaliação do economista Gil Castello Branco, fundador da Associação Contas Abertas, o número pode ser bem maior porque existe uma dificuldade enorme para conseguir dados mais transparentes. “O governo não abre o número de obras paradas. É muito difícil conseguir essas informações”, critica.